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Textos

Iara Cínthya

 

Iara Cínthya Marcondes da Silveira nasceu em 14 de fevereiro de 1985, no município de Anajás, na Ilha de Marajó, Pará. Aos 41 anos, conserva no rosto a serenidade de uma mulher que parece ter encontrado, na literatura, uma forma de conciliar a delicadeza do sentimento com a disciplina da forma.

Filha das águas e das paisagens de Anajás, Iara cresceu em meio a uma natureza exuberante, mas sua sensibilidade poética não se entregou inteiramente ao espontâneo. Desde muito cedo, desenvolveu particular fascínio pela ordem, pela proporção, pela harmonia e pela beleza equilibrada da palavra. Na adolescência, aproximou-se dos clássicos da literatura portuguesa e brasileira, descobrindo neles uma concepção de poesia que se tornaria fundamento de sua obra.

Sua escolha estética é o Classicismo.

A poeta da harmonia

Iara entende a poesia como uma busca permanente de equilíbrio.

Em sua obra, o sentimento não desaparece, mas é submetido à inteligência da forma. O amor não é simplesmente confessado: é contemplado, pensado, medido e transfigurado em beleza.

Sua poética procura recuperar valores caros à tradição clássica:

  • equilíbrio;
  • racionalidade;
  • harmonia;
  • proporção;
  • clareza;
  • universalidade;
  • contenção sentimental;
  • beleza formal;
  • diálogo entre razão e emoção.

Ela admira particularmente a tradição camoniana e a poesia clássica de matriz greco-romana, mas não pretende ser uma poeta anacrônica. Seu projeto consiste em trazer a sensibilidade clássica para o mundo contemporâneo e, sobretudo, para o universo amazônico.

O Classicismo de Iara

O que torna sua poesia singular é justamente essa fusão.

Iara não escreve como se estivesse em Lisboa, Coimbra ou Roma. Ela escreve a partir de Anajás, mas contempla sua paisagem com olhos clássicos.

O rio pode ser comparado a uma antiga divindade; a mulher marajoara pode assumir a dignidade de uma figura mitológica; o amor pode ser tratado como experiência universal; a passagem da vida pode ser refletida à maneira dos antigos.

Em seus versos, portanto, o Marajó encontra a Antiguidade.

A várzea torna-se paisagem pastoril.
O rio torna-se metáfora do tempo.
A canoa transforma-se em pequena embarcação de Ulisses.
A mulher amada adquire a serenidade de uma Vênus tropical.
O pescador pode tornar-se herói de uma epopeia íntima.

Mas Iara evita o excesso ornamental. Sua beleza nasce sobretudo da medida.

Uma poeta da contenção

Ao contrário dos poetas que fazem da intensidade emocional sua principal força, Iara acredita que o sentimento se torna mais poderoso quando encontra uma forma capaz de contê-lo.

Seu princípio poderia ser resumido assim:

Sentir profundamente; escrever serenamente.

Essa máxima explica sua preferência pelo soneto, pela regularidade métrica e pelas composições em que cada palavra parece ocupar uma posição deliberadamente escolhida.

Para ela, escrever poesia é semelhante a construir um templo: nada deve estar ali por acaso.

A mulher e o amor

O amor ocupa lugar central em sua obra, mas não como paixão desordenada.

Iara prefere o amor contemplado pela memória, pela distância, pela maturidade e pela consciência de sua própria fragilidade.

Daí nascer uma poesia amorosa de tonalidade simultaneamente sensual e filosófica.

A mulher de seus poemas não é apenas objeto do desejo. É sujeito contemplativo, intelectualmente consciente de sua condição, capaz de amar sem abandonar a razão.

Essa característica aproxima sua poesia de uma tradição clássica em que beleza e inteligência caminham juntas.

“Pequena Ópera do Afeto”

Entre as obras atribuídas a Iara encontra-se Pequena Ópera do Afeto, projeto que sintetiza sua personalidade literária.

O título é revelador: ópera sugere composição, harmonia e arquitetura; pequena indica intimidade e delicadeza; afeto introduz o elemento humano.

A obra pode ser compreendida como uma espécie de ciclo lírico amoroso, no qual o sentimento é organizado em movimentos sucessivos — aproximação, contemplação, entrega, ausência, memória e permanência.

Não se trata, portanto, de uma simples coleção de poemas de amor, mas de uma tentativa de dar arquitetura ao sentimento.

A paisagem de Anajás

Anajás permanece presente em sua poesia, embora raramente de maneira documental.

Iara não pretende fazer poesia turística ou descritiva. A natureza é utilizada como linguagem simbólica.

A água representa a fluidez da existência.

A cheia simboliza a abundância.

A vazante representa a perda.

A canoa sugere a passagem.

A lua funciona como testemunha.

As ilhas representam a solidão e, simultaneamente, a possibilidade de encontro.

Assim, a paisagem marajoara é convertida em uma espécie de mitologia particular.

Personalidade literária

Iara é culta, elegante e disciplinada. Tem inclinação para a leitura dos clássicos, aprecia música erudita, pintura, mitologia e história da arte.

Sua personalidade não é de uma poeta arrebatada. É antes a de uma mulher que observa longamente antes de transformar aquilo que sente em verso.

Há nela uma espécie de aristocracia espiritual — não de classe social, mas de exigência estética.

Ela acredita que a poesia deve ser bela sem ser vazia, intelectual sem ser fria e sentimental sem ser derramada.

Lugar entre os heterônimos

Dentro do conjunto heteronímico, Iara Cínthya Marcondes da Silveira representa a voz clássica feminina.

Se Adamir Freire da Trindade interroga sobretudo a condição humana sob a perspectiva do Humanismo, Iara procura harmonizar o humano.

Seu grande tema é a busca da medida.

Entre a razão e o sentimento, escolhe ambos.

Entre a tradição e a contemporaneidade, procura a síntese.

Entre o Marajó e a Antiguidade, constrói uma ponte.

Sua poesia poderia ser resumida por quatro palavras:

beleza, medida, amor e harmonia.

Ficha literária

Nome: Iara Cinthya Marcondes da Silveira
Nascimento: 14 de fevereiro de 1985
Naturalidade: Anajás, Pará — Ilha de Marajó
Idade em 2026: 41 anos
Escola estética: Classicismo
Vertente: Classicismo marajoara contemporâneo
Gêneros preferenciais: soneto, ode, elegia, epístola poética e poesia lírica
Temas: amor, beleza, tempo, natureza, memória, razão, desejo e condição feminina
Símbolos: rio, ilha, lua, rosa, espelho, barco, mármore e lira
Obra representativa: Pequena Ópera do Afeto
Traço dominante: busca da harmonia entre sentimento e razão
Personalidade: culta, elegante, contemplativa, sensível e rigorosamente comprometida com a forma poética.

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Jaime Adilton Marques de Araújo
Enviado por Jaime Adilton Marques de Araújo em 11/06/2020
Alterado em 01/10/2026
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Jadilton Marques

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Sobre mim

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Local: Melgaço, Ilha de Marajó, Pará, Brasil
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Introdução:

TABACARIA

Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. [...] Fiz de mim o que não soube E o que podia fazer de mim não o fiz. O dominó que vesti era errado. Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a máscara, Estava pegada à cara. Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido. Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado. Deitei fora a máscara e dormi no vestiário Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo E vou escrever esta história para provar que sou sublime. [...]

Álvaro de Campos

Interesses:

Música, Poesia, Brasilidade, Literatura, e tudo o mais que há de bom na vida.

Filmes favoritos:

Um Amor Para Recordar, O Leitor, O 13º Andar, O Contador, O Exterminador do Futuro (A saga), Matrix (A Saga), Identidade, Fragmentado, Deixados Para Trás (A Saga), entre outros.

Músicas favoritas:

Pedaço de Mim, Tinha Que Acontecer, Rainha da Vida, Tocando em Frente, Chão de Giz, Todas as do Vinícius de Moraes, entre outras tantas.

Livros favoritos:

A saga O Vendedor de Sonhos, Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, A Carne, Amor de Perdição, A Moreninha, A Barca dos Amantes, Os Lusíadas, O Jogo da Detetive, O Pequeno Príncipe, entre tantos outros.

 

 

 

 

 

 


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