SOPRO ETERNO (Soneto sem I)
Série: Sonetos Sem Vogais
No campo, o vento embala a folha vã,
O tempo segue, dança sem temor.
A luz do céu desponta de manhã,
Ressoa leve o tom do puro ardor.
O mundo muda, sem quê nem pra quê,
A sombra ronda, sonda o seu andar.
O rumo é turvo, foge sem porquê,
O sonho é brando, nasce devagar.
No fundo, o som renasce puro e terno,
O sol repousa, dorme sem alarde,
No ar ressoa o sopro do eterno.
Se tudo muda, então, cedo ou tarde,
O tempo molda rumo subalterno,
Sem rota ou norte que, então, retarde.
Melgaço, Pará, Brasil, 22 de março de 2025.
Composto por Léo Frederico de Las Vegas
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