Cantinho da Saudade
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Textos
ÚLTIMA CANÇÃO DO RIO PRETO

Rio Preto que cantei um dia
Num poema feito de aurora.
Rio Preto das minhas lágrimas,
Dos meus doloridos traumas
(Mas também do amor primeiro
De beijos doces e castos),
Adeus! Eu já vou-me embora!

Vou partir para Melgaço.
Mas meu umbigo vai ficar
Enterrado no pé da árvore
Que meus sonhos embalou
De conquistar France Eunice -
A loira d'olhos de amêndoas,
Razão do meu suspirar.

Rio Preto da prima/vera
E outras paixões desenfreadas...
Tua beleza pura e mística
Contagiou meu coração
De encantos e sortilégios,
De temores e mistérios,
Das primeiras namoradas!

Rio Preto das minhas lágrimas,
Não nego ser filho teu!
És berço da minha infância?
Nela compus os primeiros
Rabiscos de um velho poema
Sobre um amor platônico
Que o velho Tempo escondeu.

Vou-me embora, vou-me embora,
Vou-me para outras paragens.
Mas levo dentro do peito
Uma doce nostalgia
Das noites de lua cheia,
Das volumosas marés
Que te transbordam as margens!...

De tua paisagem noturna
(A gozar a majestade
Do solene quiririm)
Despeço-me... estou partindo
De ti... (...e será para sempre!)
Mas deixo-te de lembrança
O aroma dessa saudade!

Rio Preto, tu és a vida!
Teu leito - fonte canora
Tuas terras - rotas de origem
Do meu sofrido passado!
Amo-te com a minha alma
Triste, e a despedir-me, digo:
Adeus! Adeus... vou-me embora!
 
Rio Preto, Melgaço, Pará, Brasil, 5 de Janeiro de 1993.
Jaime Adilton Marques de Araújo
Enviado por Jaime Adilton Marques de Araújo em 21/06/2020
Alterado em 25/06/2020
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