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Jadilton Marques & Cia.
A poesia e as vozes cavas dos meus Eus nefelibatas!
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Textos

Eusébio Valadares

 

Eusébio de Noronha Valadares nasceu em 28 de abril de 1982, no município de Breves, na Ilha de Marajó, Pará. Aos 44 anos, em 2026, apresenta a maturidade física e intelectual de um homem que parece carregar no semblante a gravidade de quem vive permanentemente entre dois mundos: o da matéria e o do espírito.

Sua fisionomia austera, o olhar concentrado e a indumentária de inspiração seiscentista harmonizam-se particularmente bem com a escola estética que adotou: o Barroco.

Nascido em Breves, no coração do Marajó das florestas, Eusébio cresceu diante de uma natureza exuberante e contraditória. Aprendeu cedo que a beleza pode nascer justamente daquilo que é imperfeito, transitório e ameaçado pelo tempo. Essa percepção tornar-se-ia o núcleo de sua poesia.

O poeta do contraste

Eusébio de Noronha Valadares é, entre os heterônimos, o poeta da contradição.

Sua poesia nasce do choque entre opostos:

vida e morte;
carne e espírito;
pecado e graça;
amor e culpa;
beleza e corrupção;
eternidade e tempo;
razão e fé.

Para ele, o mundo não é harmonioso. É um palco de forças contrárias que se atraem, se repelem e, muitas vezes, se confundem.

Daí sua identificação profunda com o Barroco.

Mas Eusébio não deseja simplesmente reproduzir Gregório de Matos, Padre Antônio Vieira ou a retórica seiscentista. Seu projeto é recriar a consciência barroca dentro da experiência amazônica contemporânea.

O Barroco marajoara

Em sua poesia, a floresta torna-se um grande teatro de contrastes.

A luz atravessa a copa das árvores e encontra a sombra.

O rio reflete o céu, mas carrega consigo a lama.

A flor nasce para imediatamente começar a morrer.

O corpo deseja aquilo que o espírito teme.

A água, aparentemente eterna, está sempre passando.

Essas imagens oferecem a Eusébio a matéria perfeita para uma poesia fundada na instabilidade de todas as coisas.

O Marajó aparece, portanto, não como simples cenário regional, mas como uma espécie de metáfora barroca do mundo.

A fugacidade da existência

Um dos grandes temas de Eusébio é o tempo.

Nada permanece.

A beleza envelhece.

O corpo se desfaz.

O amor muda.

A juventude desaparece.

Até mesmo a floresta, aparentemente eterna, está submetida à transformação.

Por isso, seus poemas frequentemente assumem a forma de uma meditação diante de algo belo que já traz dentro de si o princípio da destruição.

A rosa não é apenas bela: é bela porque morrerá.

A juventude não é apenas desejável: é preciosa porque passa.

O amor não é apenas prazer: é também ameaça de perda.

Essa consciência da transitoriedade dá à sua poesia uma tonalidade simultaneamente sensual e espiritual.

A linguagem barroca

Eusébio aprecia a linguagem trabalhada, os jogos de oposição, as metáforas elaboradas e as construções sintáticas que permitem que uma mesma ideia seja observada de ângulos diferentes.

Cultiva particularmente:

  • antíteses;
  • paradoxos;
  • metáforas;
  • jogos de palavras;
  • inversões sintáticas;
  • perguntas retóricas;
  • imagens religiosas;
  • alegorias;
  • contrastes entre luz e sombra;
  • vocabulário relacionado à morte, à culpa e à redenção.

Sua poesia pode ser intelectualmente densa, mas não pretende ser obscura por simples virtuosismo. O labirinto verbal é utilizado porque, para Eusébio, o próprio mundo é um labirinto.

Pecado, culpa e redenção

A religiosidade é uma das dimensões mais importantes de sua obra.

Eusébio vê o homem como criatura dividida entre o desejo de permanecer no mundo e a consciência de que pertence à eternidade.

O corpo é simultaneamente templo e tentação.

O prazer pode aproximar-se do pecado.

A culpa pode conduzir à reflexão.

E a consciência da morte pode conduzir à busca da salvação.

Entretanto, sua poesia religiosa não é simplesmente moralista.

Há nela uma profunda compaixão pelo homem.

Eusébio compreende o pecador não como uma figura abstrata, mas como alguém ferido pela própria condição humana.

A sensualidade barroca

O erotismo ocupa espaço considerável em sua obra.

Mas é um erotismo essencialmente barroco: a sensualidade nunca aparece completamente separada da consciência da morte.

O corpo amado é simultaneamente objeto de desejo e lembrança de sua própria transitoriedade.

A pele, o perfume, os cabelos, os lábios e os olhos são celebrados justamente porque pertencem a um corpo que o tempo inevitavelmente modificará.

Por isso, sua poesia amorosa possui frequentemente uma tensão característica:

desejar o instante enquanto se teme sua passagem.

Breves e a floresta

Breves fornece a Eusébio uma paisagem particularmente adequada à sua estética.

O emaranhado dos rios, a densidade da floresta, a umidade permanente, as grandes árvores e a alternância entre claridade e penumbra constituem elementos que ele transforma em símbolos.

A mata é frequentemente apresentada como catedral natural.

Os rios tornam-se corredores.

As árvores parecem colunas.

A luz que atravessa a folhagem assume aparência de vitral.

E a chuva funciona como uma espécie de purificação — embora nunca completamente livre da ideia de melancolia.

Assim, o espaço amazônico adquire uma dimensão quase sacra.

O poeta e o espelho

Um dos símbolos preferidos de Eusébio é o espelho.

Não necessariamente um objeto físico, mas uma imagem recorrente: o homem diante de sua própria aparência e, por trás dela, diante daquilo que não pode ver.

O espelho pergunta:

Quem somos quando a beleza desaparece?

Quem somos quando o tempo nos retira aquilo que julgávamos ser?

Quem somos diante da morte?

É nesse território que Eusébio encontra sua voz mais característica.

Personalidade literária

A própria aparência do poeta corresponde à sua estética.

Seu rosto sério, os cabelos escuros já marcados por fios grisalhos e o olhar concentrado sugerem um homem introspectivo, inclinado à meditação.

A vestimenta seiscentista, rica em veludo, bordados e ornamentos, reforça sua imagem de poeta barroco, mas também expressa uma característica de sua personalidade: Eusébio aprecia o excesso como manifestação artística, mesmo quando sua reflexão conduz à simplicidade final da morte.

Há nele uma espécie de paradoxo visual:

o homem vestido de magnificência que escreve sobre a vaidade de todas as coisas.

Lugar entre os heterônimos

Dentro da galeria heteronímica, Eusébio de Noronha Valadares representa a voz barroca.

Se o Quinhentismo de Manoel da Silva Botelho contempla a descoberta, o Humanismo de Adamir Freire da Trindade contempla o homem, e o Classicismo de Iara Cinthya Marcondes da Silveira procura a harmonia, Eusébio contempla a contradição.

Seu universo é aquele em que nada permanece inteiramente sendo aquilo que parece.

A beleza contém a morte.

A fé contém a dúvida.

O prazer contém a culpa.

A vida contém a morte.

E a morte, paradoxalmente, pode conter a promessa da eternidade.

Sua poética poderia ser condensada em quatro palavras:

contraste, transitoriedade, culpa e transcendência.

Ficha literária

Nome: Eusébio de Noronha Valadares
Nascimento: 28 de abril de 1982
Naturalidade: Breves, Pará — Ilha de Marajó
Idade em 2026: 44 anos
Escola estética: Barroco
Vertente: Barroco marajoara contemporâneo
Gêneros preferenciais: soneto, poema sacro, elegia, poema amoroso e meditação poética
Temas: morte, pecado, fé, culpa, amor, sensualidade, tempo, vaidade e eternidade
Recursos estilísticos: antítese, paradoxo, metáfora, alegoria, conceptismo e jogos de linguagem
Símbolos: espelho, vela, cruz, rio, sombra, luz, rosa, chuva e ampulheta
Traço dominante: consciência da transitoriedade e da contradição humana
Personalidade: austero, introspectivo, erudito, religioso, sensual e profundamente atraído pelos conflitos entre o corpo e o espírito.

 

 ◄ Manoel Botelho | Adalberto Araújo ► 
 

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Jaime Adilton Marques de Araújo
Enviado por Jaime Adilton Marques de Araújo em 11/06/2020
Alterado em 01/10/2026
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Jadilton Marques

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Sobre mim

Gênero: Masculino
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Local: Melgaço, Ilha de Marajó, Pará, Brasil
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Introdução:

TABACARIA

Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. [...] Fiz de mim o que não soube E o que podia fazer de mim não o fiz. O dominó que vesti era errado. Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a máscara, Estava pegada à cara. Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido. Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado. Deitei fora a máscara e dormi no vestiário Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo E vou escrever esta história para provar que sou sublime. [...]

Álvaro de Campos

Interesses:

Música, Poesia, Brasilidade, Literatura, e tudo o mais que há de bom na vida.

Filmes favoritos:

Um Amor Para Recordar, O Leitor, O 13º Andar, O Contador, O Exterminador do Futuro (A saga), Matrix (A Saga), Identidade, Fragmentado, Deixados Para Trás (A Saga), entre outros.

Músicas favoritas:

Pedaço de Mim, Tinha Que Acontecer, Rainha da Vida, Tocando em Frente, Chão de Giz, Todas as do Vinícius de Moraes, entre outras tantas.

Livros favoritos:

A saga O Vendedor de Sonhos, Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, A Carne, Amor de Perdição, A Moreninha, A Barca dos Amantes, Os Lusíadas, O Jogo da Detetive, O Pequeno Príncipe, entre tantos outros.

 

 

 

 

 

 


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